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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A insanidade do comitê especial

A insanidade do comitê especial

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Os deputados da bancada ruralista, agora também conhecida como bancada da motosserra, com esta gana pelo desmatamento, estão alvejando seu próprio pé. Se dizem defensores dos pequenos agricultores, mas tenho certeza de que defendem os grandes produtores de arroz e soja. Pois são justamente esses que, com o passar dos anos, serão os mais prejudicados se o Senado aprovar só 15 metros de conservação da mata ciliar. Inicialmente a proposta era de 7,5 metros, depois passou para 15. Isso é insignificante, todavia, temos senadores sensatos que obviamente pensaram o Brasil como um todo, sabem os problemas que pode criar para o futuro a não criação de certas defesas da água. A mata ciliar é a primeira defesa de nossas águas. Tornando-a mais rala e estreita sentiremos logo seus efeitos. É notório que para os produtores 15 metros a mais ou a menos não farão faltar terras para plantar, não passarão fome como certos deputados insistem em falar.

Mas para o meio ambiente, 15 metros são de grande valia para a conservação dos leitos onde, sabidamente, produtores de arroz necessitam de muita água para planta. Deveriam ser os grandes defensores do meio ambiente, pois tiram dele seu sustento. Arrozeiros, em sua grande maioria, necessitam de água proveniente de arroios, rios. Já com as leis anteriores víamos uma crescente diminuição da profundidade dos rios e arroios. Mais precisamente aqui na região, no Rio Pardo, Botucaraizinho, Rio Pardinho e Jacuí, o assoreamento é visível. Não é problema só dos rios, mas principalmente dos pequenos arroios que formam esses rios, nas nascentes. As alterações propostas pelo deputado Aldo Rebelo darão carta branca para os produtores de fumo desmatarem até os limites, quem sabe além deles, por necessitarem de lenha a baixo custo para suas safras. Com isso, acarretarão maiores assoreamentos por não terem uma medida decente idealizada pelo poder público para proteger a mata ciliar.

Passou aquele tempo em que se ganhava voto no susto. Vejo deputados atacando ONGs dizendo que esta ou aquela são financiadas por estrangeiros, mas não assumem que são contra a preservação. Até eles sabem que a consciência ecológica é crescente e os filhos de produtores têm mais informação que seus pais tinham anos atrás. Também inguém é insano para não dar valor à agricultura que sustenta nosso Planeta. O jovem rural sabe que, para produzir bem e com qualidade, devemos produzir integrados com a naturteza, procurando manter o mais intacto possível nosso meio ambiente.

Acho que os parlamentares que ficam em seus gabinetes não percebem o enorme prejuízo que irão causar para a natureza, tentando mudar pontos cruciais do Código Florestal como deixar os estados fazerem os licenciamentos ambientais, a mata ciliar só com 15 metros de largura, e outros pontos que irão interferir em nossas vidas em pouco tempo.

Não entendo o porquê desta sede de desmatamento que a bancada da motosserra insiste em impor, não pensando no futuro. Todavia, dizem que faltará terra para plantar, dizem que terá milhares de agricultores passando fome se aprovado o novo código. Eu digo que não. Passar fome sim, mas com essa política de querer desmatar por desmatar, deixando o pequeno agricultor com rios assoreados, sem água, num futuro próximo virão os resultados. Sou até um pouco pessimista, se todos tivessem o mesmo ideal de conservação, daí em diante não seria o suficiente para diminuir as catástrofes naturais como enchentes, temporais, secas. Para a agricultura será cada ano pior, caros senadores. Os parlamentares têm que pensar sim em tecnologias e formas de produzir que proporcionem para o pequeno agricultor mais renda e mais recursos técnicos e tecnológicos, principalmente  premiando a conservação do meio ambiente.



 Marcelo Coimbra da Silva/Coord. do Grupo de Apoio, Ações e Ideais Ambientais (GAAIA) – Candelária/RS